
Aproveitando que estou vivendo um ciclo de Marte muito especial, que só ocorre de dois em dois anos, e que consiste na passagem do planeta vermelho pelo ponto mais alto do meu mapa astral, vou postar um poema escrito em agosto de 1994. Encontrei estas modestas palavras no fundo de uma caixa.
Eu escrevia muitos poemas, mas eles se perderam nas arrumações e nas mudanças da vida. Quando tento lembrar das razões pelas quais eu os escrevia (sim, em todo o poema há escondido vários detalhes da vida e dos sentimentos de uma pessoa), não consigo recordar. Óbvio que Freud explica esse "esquecimento", pois foi de propósito; fiz questão de apagar as situações ruins, o que me incomodava na minha família, na escola, no convívio com outras pessoas etc.
Era ótimo ficar trancada no quarto escrevendo, sonhando, lendo os jornais em voz alta (mania que tenho até hoje), chorando, rindo, ouvindo Carly Simon e ainda tendo que aturar a minha irmã fazendo desenhos e os passando por baixo da porta, na esperança de que eu abrisse e a convidasse para a minha festa interior. Esse "convite" nunca veio, diga-se de passagem! Afinal, eram sete anos de diferença entre nós e eu estava no auge da fantasia.
Aí, como diz a música da Paula Toller, "um dia o caminhão atropelou a paixão", e eu, repentinamente, parei de escrever. A porta do quarto não se abriu, nem deixei de ouvir Carly Simon; apenas "perdi" a capacidade de criação, pois a realidade era outra e eu precisava "ganhar a vida".
Voltando ao poema, deixo aqui registrado para que ele não se perca no tempo, como aconteceu com os outros 987 irmãos dele. São palavras simples, nada extraordinário. Mas essa simplicidade sempre me encantou. Por isso, talvez, que só este tenha sobrado no meio de tantas incertezas e desejos:
Se alguém tiver um poema parecido com esse, terá sido uma mera e feliz coincidência.
